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Apresentação

"O xamã, não se autoproclama. Ele é chamado para suas tarefas espirituais, passa por treinamentos, então é reconhecido pelas pessoas de sua comunidade."
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1 de junho de 2012

Filhos de Manitu II


Menino, nunca deixe de dar atenção às suas intuições, pois elas são como gotinhas da essência de Manitu* se expressando dentro de você.
E sempre siga o caminho do coração, pois esse é o caminho para o Grande Espírito.
O caminho da cabeça também tem seu valor no mundo, mas de nada serve na área das pradarias espirituais, onde o que conta é a Força do Espírito.
Por ironia, é por esse caminho que o homem perde a cabeça...
Porque as ilusões do mundo corrompem sua jornada e deixam-no cego para o que é verdadeiro e de acordo com a natureza real das coisas da vida.
O caminho do coração equilibra a cabeça e faz o Ser honrar o Grande
Espírito e todos os seres vivos. Faz a jornada ser feliz e verdadeira.
Porém, o caminho da cabeça desequilibra o coração e mata a fé e o amor.
É por esse motivo que o homem vem destruindo a natureza e corrompendo o que é sagrado. Sua cabeça é grande, mas o seu coração ficou pequeno e cheio de ingratidão.
O homem acha que é o senhor das coisas do mundo, mas, sequer é senhor de suas próprias emoções. E quando sua cabeça pesa, o seu coração chora.
Ah, menino, sem coração, a luz vai embora... E a cabeça dói!
O caminho do coração é o mesmo do amor e, por isso, leva ao Grande Espírito.

E correm grande perigo os que se afastam dele em busca das ilusões do mundo.
Porque o caminho da cabeça é baseado nos sentidos do corpo e na medida material das coisas. E como os sentidos do homem da Terra não dão a medida da vida universal - que é infinita - e nem percebem outras realidades, facilmente o enganam na jornada.
Sem coração, nada de cabeça saudável. Sem amor, nada de paz.
Sem o respeito ao Grande Espírito, só sobra o abismo da arrogância do homem.
Menino, o caminho do coração é o grande caminho... Porque faz a cabeça repensar sua jornada no mundo. Faz perdoar e olhar a vida com novas luzes. E honra o Grande Espírito.
Nas viagens de aprendizado das muitas vidas, o caminho é sempre o mesmo... Aquele que leva ao Grande Espírito.
Essa é a verdadeira trilha do curador, porque vê a Luz em tudo e agradece a Manitu pelo simples fato de respirar. E também pelo amor que viaja pelo coração...
Quem honra o Grande Espírito jamais se deixa levar pelas ilusões de seus sentidos e de suas emoções, tão transitórias quanto sua própria passagem pelo mundo.
E nunca se deixa levar por objetivos daninhos ou por algo que envergonhe a Força de seu Espírito. Porque na trilha do coração não há espaço para mágoas, mesquinharias ou desejos de vingança.
As coisas do mundo também fazem parte da natureza e são expressões do Grande Espírito, que está em tudo. Mas a arrogância do homem prioriza só o caminho da cabeça, em detrimento de seu próprio equilíbrio e, por isso, se atola nas coisas do mundo e se perde nas pradarias espirituais de si mesmo.
O homem não é senhor de nada, nem de si mesmo. E diante das provas da vida e do desconhecido da morte, treme e se apequena.
Sem a Luz do Espírito para guiá-lo na jornada, o homem supostamente dominará o mundo externo, mas permanecerá ignorante de si mesmo e perdido emocionalmente.
E sua jornada não terá honra, mas, sim, trevas e dor.
Ah, menino, a Grande Magia é o Amor. E só o Grande Espírito é que sabe tudo.
E o caminho do coração leva a Ele, além de equilibrar a cabeça no mundo.
Honrar o Grande Espírito é honrar toda existência, todos os seres, e também a si mesmo. Porque todas as tribos e todos os povos estão dentro do Grande Coração d’Ele.
Esse é o ensinamento da trilha do curador: se o caminho tem coração, naturalmente levará o Ser ao Amor e ao Grande Espírito.
Então, menino, sempre siga o caminho do coração e ilumine sua jornada.
P.S.:
Só o Grande Espírito é o Senhor!
E o Amor, que é sua magia, está em tudo.
E se o caminho tem coração, ensina isso.
E quem é honrado, aprende.
- Black-White Snow -
(Recebido espiritualmente por Wagner D. Borges; São Paulo, 05 de julho de 2010)
Notas de Wagner Borges:
Black-White Snow é um xamã pele-vermelha desencarnado que aparece ocasionalmente para mim. É um grande manipulador de energias e conhece bem a arte das experiências fora do corpo, além de ser dotado de um bom humor contagiante. Na ocasião em que ele me passou esses escritos, eu estava de molho, com o pé direito machucado e muito inchado, devido a um acidente em casa - uma batida com o tornozelo na quina de um armário de banheiro. Devido à dor, e também ao efeito do remédio antiinflamatório que tomei, eu não conseguia dormir direito e estava muito incomodado.
Foi então que ele apareceu repentinamente no quarto, em meio a um clarão luminoso, e se direcionou para os pés da cama. E aí, ele riu e começou a aplicar passes energéticos no meu pé machucado. Em determinado instante, ele literalmente enfiou os dedos de suas mãos dentro dos dedos do meu pé – ou seja, interpenetrou-os -, e deu uma sacudida no duplo energético do mesmo. E logo depois ele repetiu o mesmo procedimento no meu pé esquerdo.
Não resistindo à tentação, perguntei a ele por qual motivo ele havia enfiado as suas mãos nos meus pés. E ele, como sempre, bem simpático e bonachão, riu e me disse, mentalmente: “Eu só estava verificando se não havia alguma energia pesada agarrada no seu pé. Ou se tinha alguma magia ruim junto, tentando se aproveitar do seu desconforto momentâneo. E aproveitei e verifiquei logo o outro pé, só para prevenir. Mas, não tem nada, não. É só o problema da pancada no pé e a dor e inchaço decorrentes. Tenha paciência e descanse bastante, para não forçar a área atingida. E mantenha a mente positiva e ore ao Grande Espírito, que sempre sabe de tudo.
Aproveitando essa visita a você, eu vou lhe falar sobre algumas coisas. E depois, se assim desejar, escreva e ventile esses apontamentos para os seus leitores. Mas faça isso amanhã, quando se levantar. Pode dormir tranquilo, pois você não se esquecerá. E eu sei disso porque falarei diretamente ao seu coração. Apenas relaxe e capte a mensagem, com a força do seu espírito e a graça do Grande Espírito.”
Então, eu fechei os meus olhos e fiz uma prece ao Alto, enquanto ele projetava mentalmente esses apontamentos conscienciais em meu coração.
Logo depois, ele novamente riu e fez um gesto com as mãos, literalmente abrindo uma passagem luminosa na parede – um atalho, ou janela por entre os planos; ou seja, um tipo de portal interplanos -, por onde entrou e sumiu...
E eu fiquei ali, deitado e tranquilo, sentindo a alegria dele nas minhas energias, e também agradecido pela atenção que ele me deu no meio da noite, quando eu estava com muita dor e sozinho, sem dormir ou poder andar direito e com dificuldades até mesmo para ir ao banheiro ou à cozinha, para tomar água. E, finalmente, adormeci e descansei.
No dia seguinte, melhorei um pouco e escrevi tudo, sem esquecer nada do que ele me passou. E depois, ainda levei alguns dias sem poder andar direito e com o pé inchado e doendo bastante. E como moro sozinho, isso dificultou demais a minha locomoção em casa, até mesmo para as coisas mais simples. Mas a alegria dele permaneceu comigo nesse tempo e me ajudou a ter a devida paciência com esse percalço que passei. Como ele mesmo disse, fiquei com a mente positiva e não perdi o bom humor, mesmo passando dor. Afinal, era só o pé que estava inchado, não minha consciência.
E o meu coração continuava cheio de alegria.
E eu agradeço a ele, Black-White Snow, e ao Grande Espírito, por tudo.
Notas do texto:
* Manitu: designação que os índios algonquinos, da América do Norte, dão a uma força mágica não personificada, mas inerente a todas as coisas, pessoas, fenômenos naturais e atividades. Ou seja, o Grande Espírito, criador de todas as coisas.