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Apresentação

"O xamã, não se autoproclama. Ele é chamado para suas tarefas espirituais, passa por treinamentos, então é reconhecido pelas pessoas de sua comunidade."
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2 de agosto de 2012

A CURA XAMANICA


A base da técnica xamânica de cura está na retomada do contato com as fontes de energia primordiais: animais, vegetais, minerais e a energia dos quatro elementos, fogo, ar, água e terra. Todas estas energias existem no mundo natural e, em estado latente, no interior de nossa psique. 
Algumas técnicas tradicionais xamânicas preconizam o uso de substância alucinógenas para produzir o estado alterado de consciente, que será a ponte de ligação entre consciente e inconsciente.


Para o homem civilizado, em geral prisioneiro de um sistema neurótico de vida e não habituado cultural e organicamente à ingestão de tais substâncias, a experiência quase sempre produz resultados que põem em risco a saúde.

A grande contribuição de Michael Harner foi criar um método de entrar em estado alterado de consciência sem o uso das drogas alucinógenas. 
Harner afirma que o que consideramos realidade subjetiva no estado comum de consciência é realidade objetiva, naquilo que ele batizou de estado xamanico de consciência. Assim, se numa experiência xamânica encontrarmos um dragão, ele terá, para o xamã, realidade plenamente objetiva e não mítica. A partir daí, Harner concluiu que, para se conseguir um efeito objetivo no estado xamânico de consciência, bastaria um estímulo subjetivo no estado comum de consciência.
Esse estímulo é o som produzido por batidas rítmicas de tambores e chocalhos, instrumentos tradicionais do xamã.
O primeiro passo que deve ser dado logo após a entrada no estado xamânico de consciência é a descoberta do túnel xamânico. Esse túnel, que corresponde à ponte de ligação entre o consciente e o inconsciente, levará ao mundo xamânico, onde, a nível simbólico, toda a experiência xamânica se desenvolve. A viagem através desse túnel é feita sempre sob o estímulo do som de tambores, e é geralmente precedida por uma dança similar àquela praticada pelos índios. 
Ao começar a viajar entre os mundos o xamã deve procurar os seus aliados 
espirituais: guias, mestres, auxiliares e animais de poder. No mundo superior é onde encontramos os nossos mestres e ancestrais, que nos dão conhecimentos, poder, equilíbrio e saúde, visando a nossa evolução como Ser. No mundo inferior encontraremos o nosso animal de poder e os animais auxiliares. O primeiro, em termos simbólicos, corresponde à nossa parte animal preponderante. Como todos os símbolos, esse também apresenta uma bipolaridade. Tem um aspecto de energia vital curativa - que, como todo bom anjo da guarda, está sempre disponível para nos ajudar e proteger - e também a sua igual e contrária parte destrutiva. 
O animal de poder não é nada mais que um parente de outro reino ou nível 
energético, confirmando, assim, que todos nós somos irmãos e filhos do Grande Espírito. Neste momento do despertar de uma nova consciência ecológica, é importante lembrar-nos deste parentesco, para evitar a destruição e poluição desses outros planos da existência. Várias outras etapas se sucedem, numa seqüência gradativa que obedece a uma metodologia perfeitamente estruturada. 
Segue-se, por exemplo, a etapa da procura do animal de cura, que servirá para a autocura e a cura dos outros, a cura à distância, a restauração do poder animal e, entre outros, a procura da parte perdida da alma, numa clara analogia com o trabalho dos psicoterapeutas. A cura xamânica é simplesmente uma ampliação da consciência procurando a mobilização do fator de auto cura. Todo arquétipo pressupõe uma contraparte. O curador contém o doente e vice-versa. 
Com a prática do xamanismo nós tornamo-nos co-criadores na vontade coletiva da natureza. Nós tornamo-nos agentes da mudança no drama da evolução. Mais do que isso, libertamo-nos da ilusão de isolamento e adentramos na realidade da inter-relação de toda vida. O xamanismo é uma jornada mental e emocional, onde tanto o paciente quanto o xamã ficam envolvidos. Através da sua heróica viagem e dos seus esforços, o xamã ajuda os seus pacientes a transcender a noção normal e comum que têm acerca da realidade, inclusive a noção de si próprios como doentes. Faz sentir aos seus pacientes que eles não estão emocionalmente e espiritualmente sozinhos nas suas lutas contra a doença e a morte. Faz com que eles partilhem dos seus poderes especiais, convencendo-os, em profundo nível de consciência, de que há outro ser humano desejoso de oferecer o seu próprio Eu para ajudá-los. A abnegação do xamã provoca no paciente um compromisso emotivo correspondente, um senso de obrigação de lutar ao lado do xamã para se salvar. 
Zelo e cura caminham juntos. Finalmente, a prática do xamanismo leva-o, conseqüentemente, a alinhar-se com as forças de cura da natureza. Encontra-se equilíbrio e integração. Sabemos quem somos e para onde estamos indo.